A barreira do (re)canto

21-04-2013 19:54

A felicidade parece uma miragem

E as exíguas alegrias vêm só de passagem.

A mágoa e a dor tornam-se reconfortantes

Devido aos obstáculos irreais, mas constantes.

O silêncio que abriga a amargura;

E, as longas paredes acusam tortura;

Há uma coragem que se desvaneceu;

E há um amor-próprio que morreu.

 

A solidão como uma amiga agradável,

Transforma-se num banco confortável;

O vazio com um sentimento de fidelidade,

Converte-se num amante de grande beldade;

O desgosto apodera-se do espaço desprovido

E aproxima-se anunciando um bafo atrevido;

A frustração de inimiga torna-se amada

E consolas-te com a sua verdade irada.

 

Por fim, racionalizas a cor meiga da ténue barreira,

E percebes que passar através dela dará em asneira.

(sc)