A barreira do (re)canto
A felicidade parece uma miragem
E as exíguas alegrias vêm só de passagem.
A mágoa e a dor tornam-se reconfortantes
Devido aos obstáculos irreais, mas constantes.
O silêncio que abriga a amargura;
E, as longas paredes acusam tortura;
Há uma coragem que se desvaneceu;
E há um amor-próprio que morreu.
A solidão como uma amiga agradável,
Transforma-se num banco confortável;
O vazio com um sentimento de fidelidade,
Converte-se num amante de grande beldade;
O desgosto apodera-se do espaço desprovido
E aproxima-se anunciando um bafo atrevido;
A frustração de inimiga torna-se amada
E consolas-te com a sua verdade irada.
Por fim, racionalizas a cor meiga da ténue barreira,
E percebes que passar através dela dará em asneira.
(sc)